Don't you cry tonight

2 de julho de 2010

"Give me a whisper
And give me a sign
Give me a kiss before
You tell me goodbye"
(Don´t Cry - Guns N´Roses)
 
Aninhado entre seus braços ele dormia, finalmente parecia melhor. Não soltou nenhuma lágrima naquele intervalo de tempo. Gritos, maldições e perguntas mudas, mas nada de lágrimas. Deviam ter passado horas ali.


Esperava que, por algum motivo, isto não fosse velhos clichês de “homens não choram”, ele não seria tão tolo, não quando o assunto era este. Este... Desde aquela semana havia sido a primeira vez que a garganta parecia sufocar. Brincou com os cabelos dele entre os dedos, eram tão finos.

Talvez, como ela, estivesse apenas se convencendo de que tudo não deveria ser tão levado a sério, ou que, pior, não era tão importante. Riu de sua insegurança, ela nunca havia sido assim. Hora equivocada para ser, racionou quando tocava o semblante dele.

Certamente, fosse apenas ela, quisera que ele chorasse naquele instante, para que, quando finalmente ocorressem lágrimas, no tal horário e local marcado, nenhuma mais restasse e ombro amigo nenhum estivesse em seu lugar para lhe conformar uma dor sem sentido. A maior quimera era egoísta, queria que lhe sentissem a falta. Que a dor em apenas um instante fosse tão forte que nada pudesse lhe arrancar as raízes. Com um murmuro dele ao enlaçar sua cintura para si, mudou de idéia. Preferia os olhos secos e o sorriso escaldante. Como mudança plena se apoiou nele, a fragilidade que o ser de branco queria ver nela, finalmente apareceu.

Não lhe bastava os vícios mundanos, as apólices de um futuro seguro ou antigos rancores, e sim, unicamente, aquele corpo perto do seu e as memórias solenes. Quem sabe, como em filmes martirizados, devesse partir, ir embora antes que a dor maior tocasse a todos. Era irônico, ele, que lhe preenchia as lacunas durante todos estes anos, agora era o único a saber disso; uma prova de sua importância ou a crueldade humana de fazer sofrer quem exatamente importa.

Memorizou seu rosto e arrependeu-se de tantas coisas; respostas contrariadas, brigas sem sentido, futilidades infantis; agradeceu a tantas outras. Como resposta as antigas razões de não sofrer até o fim, de terminar isto antes que tudo terminasse, a coragem covarde sumiu. Pela primeira vez, queria lutar.

Não agüentava mais, se apoiou sobre os braços e ia levantar, precisava de ar, era urgente. Mas, mais urgente, foram os dedos dele que se prenderam no pulso dela.

_Diz que foi um pesadelo?

Deixou por fim as lágrimas rolarem. Ele sonolento e discreto tentou lhe acalmar os soluços. Ela não queria ir embora, rezou a um Deus que acusou não existir por tanto tempo.

_Acho que não.

Ela forçou um sorriso, ele lhe contornou o rosto que o fizera se apaixonar quando nada disso interessava, a vida não seria tão injusta.

_Mas vai ser, daqui a alguns anos quando estiver curada e nos meus braços, teu eterno lugar, isto for apenas lembranças ruins.

Mais lágrimas dela, um beijo doce e salgado ao mesmo tempo. Porém, ao fim daquele mês, junho de frio devasso, ela não estava mais em sua cama e em nenhum outro lugar, além de suas lágrimas.


"Don't you take it so hard now

And please don't take it so bad
I'll still be thinking of you
And the times we had baby"
(Don´t Cry - Guns N´Roses)

 
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