Uma história de sucesso.

22 de novembro de 2010

Nomeei todos os meus arquivos do computador, e então Freud olhou-me com um aviso, para ele minhas atitudes eram como uma metáfora, afinal, o que eu tentava fazer era nomear todos os sentimentos e ações que constroem minha vida e não pastas e subpastas idênticas. Tudo o que, por fim, me rege nesta orquestra programada a falência.


Em resposta, contratei novos músicos e almejei valiosos instrumentos que observara na vitrine de um shopping na semana passada, mas a relutância mais uma vez afirmou que não era o bastante. O problema não são os que aqui trabalham ou a infra-estrutura que me rodeia. Eles são realmente bons naquelas roupas de pingüins! Mas sou eu que insisto sempre nas mesmas músicas e notas altas que minha melodia não consegue alcançar.

Sem chavões de auto-ajuda, condeno-me por me importar realmente com isto, mas é como se o sucesso, tão bem pregado em propagandas televisivas, me fosse uma afronta do que poderia ser, mas realmente nunca foi. O que há de mal em cantar em um restaurante de esquina, qual ninguém percebe que você não é apenas a música de fundo de uma rádio local?

Fecho as cortinas a noite e os mando irem descansar, eles se vão. Subo ao palco, encaro a platéia vazia, não tão diferente de como fica em dia de espetáculo e deixo que a vitrola soe distante.

Olho meus dedos ficarem velhos e as pretensões infantis que eu tinha na infância se tornar mais um gosto azedo do que o de veraneio que era antes. Viajar o mundo, saborear os mais exóticos sabores e desfrutar dos mais ternos amores. Sensações me sacodem então enquanto vejo Freud vir em minha direção, abana o rabo enquanto me encara novamente com a mesma expressão da manhã.

Vejo então o que ele queria dizer era: leve-me para passear. Balanço a cabeça como se isto tirasse todos os pensamentos que nela ficaram alojados durante o dia e me preparado para desligar a luz do galpão que eu ainda tenho de arranjar um modo de pagar o aluguel. Freud me cerca com a coleira enquanto tranco a porta em euforia, ele precisava de ar e eu apenas de sucesso.

Ben´sorriso

19 de novembro de 2010

Crio histórias no caminho esverdeado enquanto me dirijo, em horário marcado, a algum evento indispensál que nada diz. Em todas elas, sem exceção, e sem se quer intenção, vejo seu sorriso. Penso, e logo me condeno, que não passa de uma doença, um vício e até, uma maldição.


Nada mais existe, nada mais além de determinada intenção, mas ai, vem a acusações de que tudo mais aquém são dias corriqueiros e importantíssimos sem qualquer tolice razão.

Você ali, parado em uma nuvem opaca de irrealidade, com um olhar cínico e desmedido, em seu maior altar ilusório que construi. Gozos, lágrimas, arrebatamentos e desventuras, tudo assim, em um pequeno sorriso, em uma promessa muda de insanidade arrebatadora. Eu até duvido, até titubeio em te seguir, afinal, não sei, só de ver seu sorriso já me sinto tão bem. Emoção, ilusão... Embora, o que é pior, apenas imaginação.

Morena flor

12 de novembro de 2010

Ah, se todos soubessem o que a morena pensa, se quer se pudessem imaginar o rosto sereno e de boa familia esconde... Não teria o bastante, não teria o porquê. Deixa ela com suas saias de xita, se é que assim que se escreve, e com seus pensamentos pra si só. Pecador ou santo, quem é que vai saber? Coloca o véu sobre o rosto e prende os ninhos de cabelo em um coque. Vê o chocolate, mas quem é que sabe o sabor?

 
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