O banco

27 de março de 2008


“Era tarde, o sol já partia dando seu leve adeus em forma de um céu alaranjado, as folhas secas e o vento agradável de outono se fazia presente, e aquela sensações se misturavam a esta visão quase perfeita.
Ao fim estava aquele banco em que tantas vezes sentei-me, ao fim daquela estradinha de tijolos velhos, estava o bendito banco, porém sentado naquele dia apenas um casal.
A idade eu não saberia descrever direito, mas ouso dizer que já beiravam os sessenta anos, afinal ao rosto as marcas do tempo se faziam presentes... Porém também tão presente era notado um circulo, dourado e brilhante, em volta das mãos deles, estas entrelaçadas uma a outra e ao sorriso claro diante dos lábios deles.
Ele dizia alguma coisa que eu não pude entender, mas foi melhor assim, existem segredos que apenas devem coexistir dentro da mente de duas pessoas que selaram este acordo.
A cabeça dela levemente abaixou-se indo ao ombro dele, eram mais que amantes, eram amigos, podia se notar.
Eram eles que mesmo com o passar da juventude e ou até mesmo a paixão ardente, estavam ali, sorrindo por uma simples conversa ao parque.
Pude notar que ao longe tinha algumas crianças, loiras e de bochechas rosadas que corriam até eles, falavam e riam a se divertiam com os comentários do velho senhor e logo corriam de volta aos brinquedos feitos ali naquela pequenina praça, eram netos dos dois, fui saber mais tarde.
Sim, esta simples questão me chamara atenção a ponto de me perguntar mais tarde, ao fim do segundo dia recorrente a este, porque os delicados velhinhos do parque não se sentaram no que eu chamaria de “meu banco”, mas resposta nenhuma viera.. Além de um eco de dor e conclusão, eles nunca mais viriam.
Passei muitos anos ainda a ir ao mesmo parque e só parei quando tive que ir fazer minha primeira faculdade em uma cidade no interir do Brasil, encontrei sim inúmeros parques, com paisagens e cenários dos mais lindos, mas nunca ache um tão perfeito como aquele, podia ter sim casais e sorrisos da mais pura felicidade, mas nenhum como aquele que vi nos lábios dos dois.
Podem ter partido com a família em uma viagem, podem ter sido internados em um asilo ou quem sabe terem morrido com a idade, mas na realidade não me preocupo com o que foi deles, pois o mais importante para foi, foi saber que em algum lugar, existiu o que eu chamaria de amor Eterno, não em filmes e nem em livros, apenas ali... No meu banco.”

Uma escritora, um cérebro e um coração

21 de março de 2008



“Sentou-se na frente do computador, não sabia bem o que escrever, parecia que toda vez que o ligava e apertava com um delicado ‘click’ o ícone do Word, todas as idéias que lhe tiraram o sono durante toda a madrugada simplesmente sumiam. Tudo se misturava e os sentimentos não se compreendiam entre si.
Nunca foi muito boa com palavras nem com sentimentos, tudo é confuso demais para ser entendido, e realmente o ‘não entender’ para a menina parecia ser mais complicado do que não respirar.
Ter tudo em suas mãos, não perder o sentido de nada e não deixar que tudo fosse em vão, mas naquele momento era necessário. Era necessário esquecer-se de tudo e apenas se entregar.
Deixaria imaginação falar mais alto e os sentimentos fluírem, o coração comandar e não a cabeça e sua mania hipócrita de tentar governar a própria vida. Completaria com a imagem do sorvete dividido, com as risadas e conversas de quando estavam abraçados, das lagrimas que foram derramadas durante a madrugada e os anseios e duvidas que já haviam martelado em sua mente, os apelos desta implorando para não se entregar a sentimentos que só a fariam mal, e isso até a emoção concordava.
Completaria com o desejo que tudo se resolvesse e um fim, uma resolução concreta e racional fosse tomada, mas era em vão.
Naquele momento não pensava mais com a cabeça, não pensava mais em quanto sofreria e o que seria de sua vida, o que ele estaria fazendo, se era certo estar ali, ou então, apenas cômodo.
Era preciso uma história, era preciso os sorrisos e lagrimas que ela traria e a certeza concreta que ela fora bem feita, necessitava disso e isso ela já não tinha.
Naquele momento os dedos apertaram algumas teclas, e rapidamente estava feita a carta que tanto lhe afligira durante um bom tempo.
Estava tudo, as duvidam, os anseios, os medos, as interrogações e exclamações. Estava ali a saudade, bem querer e a certeza, nada fora em vão.
Fora a pessoas que mais amou e a que nunca esqueceria, mas era hora de partir antes que se machucasse ainda mais e terminasse apenas com desilusões.
O coração doía e como em tempos não acontecia, uma lagrima escorrera sem sua face morena, os olhos amendoados estavam marejados e a duvida era concreta.
O dedo apenas foi a tecla superior e rapidamente todas as linhas foram apagadas, não, não era hora daquilo.
Desligou a caixa de metal, juntamente como desligava sua mente, caminhou até a cama repleta de ursos de pelúcia e sonhos de uma infância, pegou um papel qualquer em meio á bagunça localizada na sua desarrumação juvenil.
A mão tremia e o coração se dispara, odiava este sentimento, odiava sentimentos em si, ser tão tola e emotiva só dava razão a sua razão para ser tão forte e comandá-la.
A caneta fez seu caminho e apenas poucas palavras ali se encontravam, dependendo da letra, talvez em uma ou duas linhas coubessem.
“Perdoe-me, é hora de dizer Adeus . Vou ser feliz ... Seja você também.
De alguém que te amou! - ...”
Pronto não havia mais o que fazer, junto aquela carta ‘tudo’ havia se acabado, mas não desistiria assim, seria feliz, custe o que custasse.
A dor passaria sua razão lhe dizia e pela primeira vez a emoção parecia concordar, juntas mostravam a ela, que para ambos, tudo começaria agora, era só uma questão de tempo, tempo e coração... Mas também lhe diziam que podia sofrer agora e que ainda não estava pronta para ver o lado real da coisa, podia chorar e se lamentar, uma hora isto passaria, mas naquele instante aconselhavam... Não é melhor agora, um bom chocolate?.” - P.C.

Chuva e graos de areia.

19 de março de 2008


"Ela estava confusa, não teria como não estar, eram tantas coisas que aconteciam juntas, talvez o milagre de ser jovem o bastante para novas descobertas nem sempre tivesse apenas o lado bom, mas era certo, ela concluiu, NADA tinha apenas lados bons. Tudo parecia aos poucos caindo por entre seus dedos como areia, como se fosse pequenas partículas de areia, que fossem tão delicadas e frágeis que escorregavam por entre seus dedos sem ela ao menos notar. E quando notava, era sempre tudo junto, quando já tinha caído muitos "Grãos" de suas mãos e esta já estava vazia.
Os dias pareciam cada vez passarem mais rápidos e a angustia de ver o tempo passando e "nada" acontecendo a deixava fora de si, era como se mil agulhadas lhe aprofundassem o coração.. "O que faço " Que rumo tomo?" " Que decisão chego?"... Nada! Era sempre nisto que terminava as respostas junto a lagrimas e mais angustias e perguntas.
Todas as decisões levavam a outras decisões e o simples fato de não fazer decisões já eram decisões?!
Sabia que não poderia fugir para sempre, sabia que mais uma vez quando olhasse já teria muita coisa passado, afinal o dia de 24 horas pareciam ao mesmo tempo, correr tão rápido e ter a capacidade de ser "tanto tempo".
Mas não, hoje ela não deixaria lagrimas caírem sobre os olhos amendoados, hoje ela não se entregaria e nem apenas imploraria por uma ajuda superior, hoje ela não se inclinaria sobre a janela vendo a vida passar e nem dormiria para que não pensasse em mais nada. Hoje ela apenas usaria de suas armas, ela apenas pegaria o guarda-chuva ao canto do maleiro como a mais imponente espada, colocaria a toca quente sobre a cabeça como uma armadura e sairia na chuva, hoje ela apenas em meio ao temporal, e ainda sim, depois, jogaria tudo ao ar e dançaria deixando que tudo que lhe afligisse fosse embora por aquele perfeito momentos que para ela, naquele instante, valeriam toda a sua existência, mesmo sabendo que na semana seguinte ou até no próximo dia, viraria talvez uma lembrança boa e nada mais, que as aflições voltariam... Mas naquele momento, ela sentia a gota gelada da chuva em seu rosto, sentia como se sua alma fosse lavada, não mais fugia da chuva... E por fim, sentiu o céu se abrir e os primeiros raios de luz do sol a tocarem sua pele alva, não havia mais chuva, não havia mais trovões e o ficar trancada dentro de casa para não se molhar... Já estava ensopada! Sim, mas foi ela antes de todos que estavam trancafiados em suas casas, que viu o sair do sol e a luz finalmente se fazer presente.”
P.C.

Goticulas de água.

12 de março de 2008




"Uma senhora já aparentando certa idade, rugas no rosto, e um olhar cansado, segurava um pequeno copo de água em suas mãos, onde bebericava com muito prazer, sentindo cada detalhe do liquido entrar em contato com a sua garganta, vê a pequena ruiva se aproximando dela, deveria ter no máximo uns quatro anos, e tinha ainda um sorriso meigo nos lábios, se aproximou e já fora pedindo colo a senhora, que esticara os braços fracos de súbito para pegar a garota, qual olhava a água atenciosamente.
_ Sabe querida.. _ começara a senhora com uma voz cansada e seca, já refletindo o efeito do tempo e o pesar dos anos _ Eu era de um tempo, onde água era utilizada a vontade, as pessoas chegavam até a nadar em bacias cheia de água querida, eram chamadas piscina, água doce, é querida, esta mesmo que agora nós pagamos fortunas por apenas umas gotas.. Havia pessoas que lavavam durante horas as calçadas mesmo sabendo que daqui a minutos estaria empoeirada novamente, havia pessoas que deixavam irrigando os jardins, deixando-os verdinhos querida… um tempo onde ligar a torneira e deixar a água ali escorrendo para escovar os dentes , mesmo ainda nem se quer tendo colocado a pasta na escova, uma época onde se deixavam a água escorrendo na pia, ao lavar a louça, enquanto ainda nem se quer começaram a ensaboar as peças, um tempo onde se demorava horas embaixo de um chuveiro – a pequenina observa a velha senhora fechar os olhos com um sorriso leve nos lábios – não imagina como é bom querida deixar a água lhe cair o corpo... porem exagerávamos.. Sim confesso também fazia parte das pessoas que pegavam a mangueira em uma tarde de calor e ficava a dançar embaixo de sua água pelo quintal… um tempo onde ainda existiam nascentes e chances de se quisermos, cuidarmos dela, mas deixamos para la pequenina, e elas morreram, fomos assassinos… Tão brutais com o nosso planeta como um terrorista em frente suas vitimas…
A senhora olhava perdida , como se estivesse a observar tudo , como se estivesse novamente naquela época, muito jovem, e não querendo beber água para tomar um copo de refrigerante no jantar,e ouvir os resmungos de sua mãe “ Água que é a coisa mais valiosa do mundo … Deveria aproveitar enquanto ainda a tem.” e riu tolamente, e viu a pequenina a olhar com um olhar curioso, e abrira a boca lentamente:
_ E porque tudo isto vovó?Porque tudo acabou?
A pequena senhora como se esperasse a pergunta da menina, deu um sorriso fraco e um beijo leve na testa da pequena ruiva, e um suspiro lamentoso.
_ Por que os seres humanos são burros querida.. são burros!"

Decisões... s2

10 de março de 2008


Acordou, olhou para os dois lados como se quisesse ter certeza que dia era, não tinha jeito, a mulher cabelos negros a agitando para despertar e se levantar para o dia de aula... Não lhe restava duvidas, com certeza domingo já havia passado.
Respirou pesadamente, os olhos no espelho deixavam claro o quanto ela havia chorado na noite anterior, como podia ter acabado assim? Perguntava-se a garota ainda não acreditando nas próprias atitudes infantis e problemáticas, estava cansada do que havia se tornado e que rumo estava levando sua vida.
Não tinha mais nada a fazer e naquele momento... Mais ninguém que realmente se importasse com ela. Porque ela sempre fugia dessas pessoas? Porque sempre se distanciava e pouco acreditava? Na realidade, não apenas dele e sim do mundo que a cerca? Porque tudo não poderia ser mais fácil e simplesmente deixar rolar? Simplesmente se perdoar e acreditar que tudo vai ser melhor? Que a paz finalmente chegaria?
Eram muitas perguntas e o tempo era muito curto, a mensagem lida na noite anterior ainda lhe afligia a cada segundo “Me ligue até amanhã, caso não ligar, saberei que não foi apenas mais uma crise e que realmente a sua decisão foi tomada”. O que ela faria? O que sentia naquele momento? Era falta ou comodidade? Ou realmente era dor lastimável de perder alguém que se ama por... NADA?!
Chegou, caminhou até a sala ao fundo, sentiu os olhos sobre si, sabia que não eram para ela, que ninguém sabia, mas naquele momento era com se mil olhos a seguissem, como se mil olhos a condenassem, na realidade não passando de si mesma.
Um sorriso fraco foi dado aos amigos, mas eles sabiam... Algo estava errado! Assim a parte do ombro amigos fez juz ao nome e conselhos e frases positivas foram escutadas, mas porque aquilo lhe doía tanto? Apenas de saber que eles falavam sobre aquilo, apenas de saber que não fora um pesadelo e que como tal realidade, pessoas já até a consolavam.
Começara a aula, ‘comunicação’... “O poder da comunicação”... Oh sim, explicações sobre interpretação e comunicação entre as pessoas, sentimentos e uma frase de “O Pequeno Príncipe”, algo como “ Você é eternamente responsável pelo que cativas”...
Momentos e mais momentos lhe passavam pela cabeça, um misto de sentimentos e saudade lhe assombravam, e então os dedos pareciam naquele momento ter vida própria e assim as mãos foram até os delicados botões do celular.
Uma mensagem foi escrita e o botão enviar foi apertado. Sim não tinha como, o amava e não desistiria assim tão fácil como fizera, se ele quisesse ambos poderiam ter uma segunda chance e um momento de concertar isso, juntos.
A realidade acontecera e logo coma decisão, o dia passara mais leve. Resolver, decidir, chegar a conclusões sobre a vida sempre faziam bem a garota, que como qualquer adolescente e talvez mais, estava perdida.
Assim, o último sinal batera, era hora de ir embora, sua casa a esperava, dormiu e a tarde assim passara rápido, os olhos não desgrudavam do celular, apenas uma resposta, era tudo que queria.
Nada!
O dia passou rápido, assim apenas o que lhe restava era dormir, quem sabe amanhã parecer um dia melhor. Assim, novamente a mesma rotina a bater na janela, hora de acordar, hora de ir a escola... As aulas como sempre passaram rápido e com conversas com os amigos já começavam a alegrá-la.. Ela havia desistido, porque ele não poderia desistir, se cansar agora das crises infantis dela? Porém ao último sinal daquele dia, ao caminhar por aquele corredor, sair ao portão, entre adolescentes barulhentos e alvoroçados com a hora da saída, lá estava ele, do mesmo jeito que ela tinha cada segundo em sua mente.
Seus olhos lhe davam a certeza havia feito a escolha certa, se aproximou, um abraço foi dado e ali novamente, como no primeiro dia, os lábios se encontraram... Finalmente, tudo estava bem! .

Apaixonada?!

7 de março de 2008



“Era incrível, era como se de repente todo o chão sumisse e algo dentro de mim quisesse explodir, tudo parecia ser altamente de risco, mas ao mesmo tempo... divertido, como se fosse uma montanha russa, com seus momentos de alto e baixo, afinal era uma mistura de sentimentos , alguns complicados outros leves e amenos mas depois intensos e confusos. E quando me dei por mim, vi, era tarde demais, a confusão ai foi se dissipando e as aflições e angustias sumindo, era inevitável e não adiantava lutar mais ou tentar repensar, pois não eram mais simples pensamentos, era claro e transparente... Estava apaixonada!”

Irmãs!

6 de março de 2008




"Ela abriu a boca lentamente como se tudo fosse um choque, e assim elevou os olhos até a parte superior criando palavras ofensivas a serem ditas, resmungou baixinho estas, e ali começara a discussão.


Palavras ditas em alto volume que percorriam a pequena casa de tom pessego e chegavam nos ouvidos de todos, estavam alteradas sabiam disso, era melhor não se meterem.


Como sempre a mãe ficou do lado da mais velha, a menina de olhos negros já estava acostumada com isso, sabia.. Garotas desajeitadas e metidas a diferente nunca conseguiam total apoio dos pais, mas daquela vez.. Sim talvez só daquela vez ela estava certa não estava? Se trancou ao quarto, bateu com toda a força a porta, e deixou as lagrimas escorrerem levemente pelo rosto, não sabia porque estava chorando na realidade, não fora uma briga taõ séria, algo como quem vai utilizar o computador e roupas emprestadas não sabia bem, mas naquele momento não era bem o motivo que contava, era o simples fato de ter ocorrido, o simples fato de ambas terem falado mais do que deviam.


Assim, como tarde da noite já se passava, ela não tentara levantar e encontrar os olhso de todos sobre si, apenas fechou os olhos e se deixou entregar naquele sono profundo.


Assim os raios de sol quentes já ao meio da manhã, lhe tocaram o rosto e ela despertou, assim viu em sua frente a pequena loira com os olhso esverdeados, vermelhos pelas lágrimas.


_ Me desculpa...


Não teria jeito, como sempre ela disse que estava tudo bem e ambas já se abraçavam, como era tido em todos os fins de brigas entre as duas, que pareciam não durar mais que um dia completo, mas estava certo, na semana seguinte logo brigariam novamente, logo o drama começaria, mas tudo bem, logo fariam as pazes e teria sua melhor amiga de volta, pois não eram simples afetos passageiros, eram irmãs!."




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D. Cravo

5 de março de 2008





"... Minha vida? Oh ela é tediosa, pelo menos era ou é, não sei bem ao certo se mudou ou se esta mudando ou se é mera imaginação ou pleno modo de vista... Um dia feliz? Aos poucos vira um escutar de pássaros e um sorriso dado do nada, aquele abraço que tanto se precisava e aquele” Pode contar comigo!”que você achou que nunca chegaria a escutar vindo de pessoas que nunca imaginou que falariam, e por ser assim chega a ter um gostinho ainda mais especial, é um passeio por um lugar diferente e uma flor bonita a se sentir a fragrância e, vocês se perguntam e "ele"? Bom ele ainda continua a me fazer compania todos os dias e em todas as lembranças e respirações, pois um anjo... Um anjo nos abandona nunca e talvez seja este o lado bom de tudo isto?!..."

Problemas mais Música!

4 de março de 2008


"Era tudo novo demais, quando dei por mim, la estava eu de novo e de novo, na mesma loja, fazendo as mesmas coisas, sim não comprava nada, mas utilizava todos os meios possíveis e impossíveis, sim escutava música. Mal acreditava naquela loja, abrira quando eu mais precisava, ficava a um quarteirão de minha casa, e se soubessem onde eu moro, poderiam dizer que era muito perto. Moro em um condomínio, é este é fechado e cheio de casas enormes e sem graça, ok algumas até tem, afinal é incrível poder pular o muro de algumas casas de verão e ver imensas piscinas bem cuidada, sabendo que ninguém vai chegar ou me pegar, ou até mesmo a aventura, de repente o portão central se abrir, e ter que mesmo apenas de biquíni e segurando algum vestido ou peça nas mãos correr para não ser pega ou ver os velhos ricaços, apenas mandarem seus seguranças soltarem os cachorros. Mas ali estava eu, na seção de músicas clássicas, cada dia da semana, era uma sessão nova a ser visitada, hoje queria Beethoven, Frank Sinatra ou qualquer outra coisa, que me deixasse amplamente em paz, que me fizesse esquecer tudo e de todos, apenas escutar aquelas pequenas notas que saiam daquele fone preso a meu ouvido.

A senhora Anny, dona da loja se acostumará com minha presença e nem se quer mais solta olhares furtivos e pesados contra mim, como no começo por eu num levar nem se quer um imã de um ídolo pop qualquer como muitos adolescentes faziam quando entravam naquela loja.

Acho que até gostava de me ter por ali, meu lado nada modesto diz que não sou tão má compania assim, ainda mais para ela, qual fica sentada atrás daquele caixa o dia inteiro, vendo adolescentes ignorando as outras seções que segundo ela, são as mais importantes, adultos querendo ser jovens e dando uma de adolescentes, outros perdidos, em seu típico gosto banal e sem graça, ela odiava sertanejo e coisas assim, falava que só os vendia, pois eram os adultos sem gosto algum que compravam mais CDs, deveria discordar, as vezes acho que acabei me dedicando tanto a música, sendo sua ouvinte, que a maioria dos estilos me pareciam incríveis. Tinha também os que simplesmente escutavam musicas e iam embora sem nada levar, como eu, não sei, mas assim, parecia ter mais graça. Mas para eles comentários eram feitos ou na maioria da vezes a simples frase “Eu preciso comer também, sabiam?”. Eu ria o que mais poderia fazer? Sabia que aquilo era um brincadeira de minha já “amiga”, qual não trocávamos muitas palavras, algumas de vez em quando sim, mas na maioria das vezes, apenas algumas mímicas; quando eu ia a tal seção e silenciosamente apenas com um olhar, ela sabia que eu queria uma sugestão e ela mostrava com os dedos a fila de CDs que eu deveria ir e quantos CDs passar até achar o que me faria bem naquele dia.

Acho eu que ela já sabia da maioria dos meus problemas e que também, era apenas com a musica que eu me reconfortava, e queria me dar algo antes nunca dado, atenção.

Mas naquele dia fora diferente, o rosto de Madame Anny estava contraído e sério como no começo de toda nossa história, relia um jornal, mas podia se nota que mesmo que se virasse ele de ponta cabeça ela nada perceberia, pois sua mente estava longe, quando no fundo daquela loja, a porta ressoou com o típico "crack" que eu estava acostumada a fazer e já tanto gostava de ouvir, ela pulara desconfortável e assustada, me soltar um olhar de ternura por um momento, como se não quisesse que eu estivesse ali para ouvir o que veria a seguir, realmente não deveria estar nos planos dela como metade das coisas aconteceram a seguir.

Por aquela porta entrou um senhor, já deveria ter seus quarenta anos de idade ou quem sabe até mais, vestia um terno preto impecável, e nas mãos uma maleta, típico empresário famoso com muito a se fazer, seu rosto parecia em tal frieza e dor, que eu realmente pensei em trocar de sessão de discos, precisava de algo mais vivo para me dar um pouco mais de luz, que com aquele jeito sério e apático, ele me tirara.

Ele encara a loja e logo depois madame Anny, ela com seu típico sotaque francês não desgastado com o tempo, e uma sobrancelha levantada. Parecia que o conhecia já, e que já esperava pelo pior, como se fosse sim, um belo senhor, mas ao seu olhar parecia uma pessoa nada agradável a vestes daquele terno.

_ Realmente não irá se arrepender Madame Swindoll, a loja parece entregue as moscas...

Sim por mais que estivesse perdida no mundo de Frank Sinatra naquele momento, o fato de ter tido problemas de fala quando pequena e audição me levaram, a saber, ler os lábios de outras pessoa, e realmente gostava cada vez menos daquele homem, e ao ver o início da conversa, meu dedo escorregou até o botão de volume, e logo Frank Sinatra parecia apenas murmúrios ao meu ouvido, e assim escutava a velha Madame Anny, encará-lo e engolir a seco em sua garganta, como em expressões populares poderiam dizer que “ela engolirá um sapo", apenas elevou a mão com um sinal de pouca relevância e saira de trás do seu típico caixa e sorrira forçadamente ao senhor.

_ Vamos logo com isto...

Ele levantara a maleta e ao abri-la podia se ver inúmeras notas, eu mesmo sendo criada em uma família com uma boa situação financeira, nunca tinha visto tanto dinheiro assim, a vista.

Ela olhou aquele dinheiro e logo fechou a maleta, pegara alguns papéis abaixo da mesa, e mais uma vez aquele olhar para mim, em nossas conversas mudas conseguia já entender os olhares dela e assim vi dentro de mim algo se perder.

_ A loja é sua senhor Clarmont... Ao fim dessa semana a loja estará fechada e assim, ela nunca mais se abrira e terás o terreno como sempre quis... Ela é sua.

Senti todos meus sentidos saírem de mim por um momento, ao mesmo tempo em que uma lagrima caia da face dela, caia da minha, ela perdera sua loja e eu a minha salvação, o meu amparo.

Levantei-me com tudo, tirando o fone de meu ouvido e o colocando meigamente a seu prendedor como fazia todos os dias, porém ao me levantara e caminhar até ela, dessa vez pegara um simples boton de um artista que nunca escutará e colocara o dinheiro acima do caixa. Seus olhos pareciam querer me pedir desculpas, porém via mais que isto neles, mas não conseguia decifrar, porém ao sair meus olhos se encontraram com os dele, sim, vi algo que não conseguia enxergar naquele momento, no alto daqueles olhos negros, vi uma alma perdida inutilmente, era como se visse meus próprios olhos, não os meus são azuis acinzentados, não falo de tonalidade, falo de alma, afinal, olhos são a porta da alma não?

Ele também pareceu notar algo, mas não, nenhum dos dois falaram, e eu ali fechei a porta com grande força saindo rua a fora, onde tudo parecia pior do que antes, carros empilhados em transito para ir até praia, porém a buzinas e crianças jogando latinhas de refrigerante na rua, um cachorro correndo atrás de um gato, e um temporal se formando, o que causava resmungos piores nas pessoas ali dentro daquele carros, com vidros fechados enquanto algumas crianças a frente do sinal de transito faziam malabarismo e pediam um mínimo de atenção, mesmo que estes estivessem perdidos naquele carro de vidros escuros, com seu ar condicionado e com a cabeça em algum leilão ou ação da bolsa de valores, ou simplesmente com medo, de que uma daquelas crianças lhe tirassem uma arma da pequenina bolinha e pronto, acabasse tudo ali, mas nada aconteceu e ao escutar o barulho e uma construção que ali ao lado se fazia, comecei a correr, corria e corria, quando finalmente cheguei à portaria daquele condomínio que a tanto me prendia, ouvi um "ola" de um dos porteiros, mas nem dei muita atenção, simplesmente soltei um muxoxo, algo inaudível e corri ate os grandes portões de minha casa.

Como sempre fazia alguns empregados a arrumavam e Liah queria me dizer algo, mas não lhe dei atenção e corri ao meu quarto e ali com aquele boton nas mãos o joguei em um canto qualquer na minha escrivaninha e me pus ali pegando uma pequenina boneca de pano velha, sim tudo estava mudando, o mundo parecia que cada vez virava mais real. Estava ficando velha logo daqui alguns dias a escola acabaria, mas não aquilo no momento não me importava, só ali com mina pequena boneca de pano entre um quarto fantasiado para um princesa que nunca existira, estava eu, com alguns discos que meus pais em vez de atenção tentava me comprar com aquilo, eles mais uma daqueles adultos inúteis que tanto madame Anny falava, e pensando na minha vida ridícula e de tantas coisas que ficara sabendo, acabei adormecendo, mas fora entre sonos nebulosos que acabei despertando e relembrando a ultima coisa que neles vi, eram olhos... Olhos negros."

Vida quase real!

3 de março de 2008





Resmungou para si mesma, não deveria ter dormido tão tarde na noite anterior, a semana parecia extremamente cansativa, incrivelmente, ainda mal começada, estando ela ainda na terça-feira. Abriu os olhos vendo que não teria jeito e se também faltasse perderia amada nota de matemática, não, não odiava matemática como cinqüenta por cento da escola, ok talvez mais porcentagens nisso, mas pelo simples fato de ter uma prova as sete na manhã, os números pareciam perder a graça.


Já estava no segundo ano, a garota de pele morena e olhos amendoados, apenas corria em direção ao banheiro ver que naqueles cinco minutos a mais que pedira a mãe, já se passara alguns mais e se com certeza não se adiantasse, logo estaria atrasada. Higiene matinal feita e com a delicada camiseta do uniforme escolar que tanto odiava vestida, os sujos e rasgados “All Star” foram postos ao pé e as mãos já iam para mochila a jogando acima do sofá, enquanto tudo ao mesmo tempo, tentava pentear os rebeldes cabelos compridos e finos. Pronta, apenas olhara a mãe, que já estava pronta a tempos, bebendo mais uma xícara de café, céus ela se perguntava, como alguém conseguia comer ou nesse caso beber algo tão cedo, acreditava ela que seu estomago talvez só funcionasse depois do meio-dia.


A mãe tirava o carro da garagem e logo um carinho era dado ao cachorro em forma de despedida, caminho feito até a escola, despediu-se da mãe com um leve sorriso e caminhava entre os portões do local, que na opinião de qualquer pessoa com menos de 18 anos, parecia mais uma prisão.


Acanhada e tímida como a mesma garotinha que chegara ao sexto ano, novata e perdida naquele mundo, ela apenas caminha tranquilamente até a sala, sentindo olhares e supostamente risos criados por sua mente neurótica, realmente nunca entendia como pessoas amavam tanto esta fase da vida. A fase de infantilidades e temores bobos, de duvidas e angustias de pré-opiniões alheias.


Um sorriso foi dado a três ou quatro colegas de classe, ali ao lado de fora e logo caminhava sala a dentro, a sala pequena e com carteiras até aquele momento enfileiradas, estava vazia, não se surpreendia, era incrível como a maioria das pessoas pareciam combinar e ás vezes chegar as seis e cinqüenta e nove.


Um sorriso abrira mais ao encontrar ali, entrando pela sala, sua amiga, tão parecidas e tão diferentes, talvez fosse isto que as unisse tanto desde aquele tempestuoso sexto ano, a quatro anos atrás, ambas novatas e perdidas. Ao seu lado o namorado, não negaria que sentira ciúmes no começo, perdera de certa forma a atenção da amiga, mas aos poucos tudo melhorara, e bom agora era uma amada vela não é?


Mais alguns poucos minutos, talvez apenas um, o sinal foi tocado e todos pareciam estar ali, logo movendo cadeiras e começando conversas paralelas. A prova foi entregue aos alunos e logo um breve silêncio passava entre os alunos, logo os olhos da menina passavam por entre os colegas, não, não procurava respostas alheias, ela sabia da matéria, mas o simples fato de observar as atitudes alheias e os gestos e expressões dos outros era quase um prazer, engraçado e ridículo, ela sabia, mas uma mania que continha á tempos.


Voltou sua atenção para a prova e logo cinqüenta minutos passaram, hora de entregá-la, resmungos e aflições eram cometidas por todos, mas ela conseguiu terminar a tempo, talvez nos últimos segundos. Assim mais duas aulas se passaram, Português e História, o assunto fascinante e com boas explicações como sempre da amada professora de história, a aula passou rápido e logo mais um sinal era escutado. Hora do intervalo ou recreio, como ainda a mente infantil da maioria ali ainda presente ás vezes intitulasse aqueles poucos minutos de pausa, intimamente.


Assim chegara o ponto que ela mais desejava, após esperar os amigos e se levantar, a espreguiçar e ao mesmo já olhar curiosamente até o lado de fora, como se por um segundo desejasse que o dia começasse bem e “ele” estivesse ali.


Começo de ano, eles nunca estão e a fila vazia lhe mostrava isto claramente, um olhar a eles que nada imaginavam, talvez a antiga amiga, já sabendo do assunto desde o ano anterior, onde ambas como disse antes, contendo tantos pontos em comum, notassem o mesmo garoto.


Um riso de companheirismo é dado pelas duas, mas nada que terceiros pudessem notar, eram loucas, quem poderia negar?


Assim de braços dados, caminhavam para fora, olhares ágeis dela o encontraram, mais uma risada da amiga e pronto, estava feito o estrago, aos poucos um certo rubor a lhe passar pela face, não nada que “eles” pudesse ver ou comentar, as bochechas sempre continham este tom naturalmente.


Um certo tom a misturar os sentimentos, a confusão e a duvida, não sabia ela.


“Que coisa patética, poderia ao menos parar de ser tão tola não é...?”


Sim lá estava sua mente, a lhe condenar e conversar com a garota, talvez um hospício não fosse tão ruim, concluiu a menina balançando a cabeça como se aquilo pudesse tirar tais pensamentos. O caminho foi rápido, assim passaram por entre eles, o olhar rápido se direcionou a ele, claro não viu, ele nunca via. Afinal, sempre existem pessoas invisíveis no mundo não é? Acreditava ela, desde pequena, ser uma delas, não sendo o tipo de pessoa que chamaria atenção a distância.


Logo um suspiro e certo sentimento estranho ao peito, nada que pudesse descrever, assim caminhou até o lado das flores e ali ficou, em conversas e até mesmo comentários sem muita importância com os amigos, realmente nunca se da importância até perde-los, portanto talvez até mesmo os mais tolos comentários de uma conversa sem sentido e de brincadeiras, importavam a ela.


Assim os poucos minutos que sempre pareciam demorar muito e quando acabavam ter durado pouco, se acabaram e os sinal para que os alunos voltassem era tido. Assim apenas se levantou, limpou a velha calça jeans tirando as pequeninas folhas que ali pudessem estar e começou a caminhar, enquanto o lindo casal vinha atrás deles.


Assim logo o viu a distância, conversando com os amigos dele sem muito se preocupar, nenhum que ela pudesse conhecer ou ao menos vê-la ali, pareciam interessados demais em suas conversas, mas por um segundo apenas ele a olhou, não foi direcionado a ela, foi mais um olhar rápido que passa por entre todos, mas que talvez para ela, tola garota de apenas 16 anos achasse cruelmente perfeito.


Ela riu, riu de si mesma e de tudo que estava sentindo, acreditava mais que tudo nas mais doces palavras de sua professora de português na segunda aula: “O melhor amor, é o amor platônico”, assim pegou no braço da velha amiga e assim com a face corada e sem graça apenas se dirigiu aos bebedouros, bebeu não mais que uma colher de água, ou até menos, apenas para sentir os lábios alguma coisa, algo como voltar a realidade.


Assim se dirigiu a sala, onde mais uma vez mesmo em conversas e a prestar atenção da aula, nada muito importava. Ninguém sabia, nem ela entendia, mas quando o sinal para ir embora tocou, ela se levantou, pegou a velha mochila, arrumou cuidadosamente e assim saiu rumo aos portões onde adolescentes pareciam se matar em algo parecido como uma “boiada” de pessoas, nada olhou, não precisava mais o vê-lo ali na saída, era apenas mais um dia de aula, apenas mais um dia comum em que nada acontecerá, mas sem nada entender, ela sabia, já havia ganhado o seu tolo dia.!”

Sapatos apertados...

2 de março de 2008


"... E ai você tira os sapatos apertados dos pés que tanto te incomodava a festa inteira... Aquela festa chata, tediosa, Jack! E coloca finalmente eles embaixo da mesa escondidos de todos para que ninguém veja tal desmazelo, porém é ai que sempre alguém olha e solta aquele sorriso discreto e realmente constrangedor para você não é? Ai você novamente encaixa os sapatinhos em seus pés e quando olha para frente, ali esta ele, a pessoa que tinha te visto com os pesinhos nus embaixo da mesa, ele lhe oferece a mão e um sorriso companheiro, e assim você acaba aceitando Jack e da um de seus sorrisos, tímidos e realmente singelos e se põe a sair dali com ele, que te leva a um campo de flores, sim flores do campo , que incrivelmente são suas favoritas e naquele momento tudo parece perfeito, como a risada dele e aquele jeitinho tímido afinal, eles nem se conheciam direito até aquele dia e então como em filmes clichês de comédia romântica ele segura tua mão e começamos a rodas por entre aquele campo de flores, caindo cada um para um lado e quando percebe, ele esta ali ao seu lado com o mesmo sorriso sem graça e rindo de seus pés imundos da terra ainda molhada pela chuva escandalosa de ontem e então, quando você percebe, ele chega de mansinho e pronto, é tarde demais. A garota que nunca beijava quem não conhecia realmente direito, ok que na verdade nunca chegara a beijar muitas pessoas, ou ninguém!? Acaba se entregando a um beijo de um completo estranho, ambos perdidos em uma festa chata , e realmente,tudo culpa de um sapato apertado!..."


O começo!

1 de março de 2008


" Eis queridas paginas em branco, não sei bem o que escrevo!? Nunca fui boa com palavras, na verdade nunca fui boa com muitas coisas e o começar de algo, com certeza é uma dessas tão pequeninas e grandiosas coisas..."
P.C.

 
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