Vida quase real!

3 de março de 2008





Resmungou para si mesma, não deveria ter dormido tão tarde na noite anterior, a semana parecia extremamente cansativa, incrivelmente, ainda mal começada, estando ela ainda na terça-feira. Abriu os olhos vendo que não teria jeito e se também faltasse perderia amada nota de matemática, não, não odiava matemática como cinqüenta por cento da escola, ok talvez mais porcentagens nisso, mas pelo simples fato de ter uma prova as sete na manhã, os números pareciam perder a graça.


Já estava no segundo ano, a garota de pele morena e olhos amendoados, apenas corria em direção ao banheiro ver que naqueles cinco minutos a mais que pedira a mãe, já se passara alguns mais e se com certeza não se adiantasse, logo estaria atrasada. Higiene matinal feita e com a delicada camiseta do uniforme escolar que tanto odiava vestida, os sujos e rasgados “All Star” foram postos ao pé e as mãos já iam para mochila a jogando acima do sofá, enquanto tudo ao mesmo tempo, tentava pentear os rebeldes cabelos compridos e finos. Pronta, apenas olhara a mãe, que já estava pronta a tempos, bebendo mais uma xícara de café, céus ela se perguntava, como alguém conseguia comer ou nesse caso beber algo tão cedo, acreditava ela que seu estomago talvez só funcionasse depois do meio-dia.


A mãe tirava o carro da garagem e logo um carinho era dado ao cachorro em forma de despedida, caminho feito até a escola, despediu-se da mãe com um leve sorriso e caminhava entre os portões do local, que na opinião de qualquer pessoa com menos de 18 anos, parecia mais uma prisão.


Acanhada e tímida como a mesma garotinha que chegara ao sexto ano, novata e perdida naquele mundo, ela apenas caminha tranquilamente até a sala, sentindo olhares e supostamente risos criados por sua mente neurótica, realmente nunca entendia como pessoas amavam tanto esta fase da vida. A fase de infantilidades e temores bobos, de duvidas e angustias de pré-opiniões alheias.


Um sorriso foi dado a três ou quatro colegas de classe, ali ao lado de fora e logo caminhava sala a dentro, a sala pequena e com carteiras até aquele momento enfileiradas, estava vazia, não se surpreendia, era incrível como a maioria das pessoas pareciam combinar e ás vezes chegar as seis e cinqüenta e nove.


Um sorriso abrira mais ao encontrar ali, entrando pela sala, sua amiga, tão parecidas e tão diferentes, talvez fosse isto que as unisse tanto desde aquele tempestuoso sexto ano, a quatro anos atrás, ambas novatas e perdidas. Ao seu lado o namorado, não negaria que sentira ciúmes no começo, perdera de certa forma a atenção da amiga, mas aos poucos tudo melhorara, e bom agora era uma amada vela não é?


Mais alguns poucos minutos, talvez apenas um, o sinal foi tocado e todos pareciam estar ali, logo movendo cadeiras e começando conversas paralelas. A prova foi entregue aos alunos e logo um breve silêncio passava entre os alunos, logo os olhos da menina passavam por entre os colegas, não, não procurava respostas alheias, ela sabia da matéria, mas o simples fato de observar as atitudes alheias e os gestos e expressões dos outros era quase um prazer, engraçado e ridículo, ela sabia, mas uma mania que continha á tempos.


Voltou sua atenção para a prova e logo cinqüenta minutos passaram, hora de entregá-la, resmungos e aflições eram cometidas por todos, mas ela conseguiu terminar a tempo, talvez nos últimos segundos. Assim mais duas aulas se passaram, Português e História, o assunto fascinante e com boas explicações como sempre da amada professora de história, a aula passou rápido e logo mais um sinal era escutado. Hora do intervalo ou recreio, como ainda a mente infantil da maioria ali ainda presente ás vezes intitulasse aqueles poucos minutos de pausa, intimamente.


Assim chegara o ponto que ela mais desejava, após esperar os amigos e se levantar, a espreguiçar e ao mesmo já olhar curiosamente até o lado de fora, como se por um segundo desejasse que o dia começasse bem e “ele” estivesse ali.


Começo de ano, eles nunca estão e a fila vazia lhe mostrava isto claramente, um olhar a eles que nada imaginavam, talvez a antiga amiga, já sabendo do assunto desde o ano anterior, onde ambas como disse antes, contendo tantos pontos em comum, notassem o mesmo garoto.


Um riso de companheirismo é dado pelas duas, mas nada que terceiros pudessem notar, eram loucas, quem poderia negar?


Assim de braços dados, caminhavam para fora, olhares ágeis dela o encontraram, mais uma risada da amiga e pronto, estava feito o estrago, aos poucos um certo rubor a lhe passar pela face, não nada que “eles” pudesse ver ou comentar, as bochechas sempre continham este tom naturalmente.


Um certo tom a misturar os sentimentos, a confusão e a duvida, não sabia ela.


“Que coisa patética, poderia ao menos parar de ser tão tola não é...?”


Sim lá estava sua mente, a lhe condenar e conversar com a garota, talvez um hospício não fosse tão ruim, concluiu a menina balançando a cabeça como se aquilo pudesse tirar tais pensamentos. O caminho foi rápido, assim passaram por entre eles, o olhar rápido se direcionou a ele, claro não viu, ele nunca via. Afinal, sempre existem pessoas invisíveis no mundo não é? Acreditava ela, desde pequena, ser uma delas, não sendo o tipo de pessoa que chamaria atenção a distância.


Logo um suspiro e certo sentimento estranho ao peito, nada que pudesse descrever, assim caminhou até o lado das flores e ali ficou, em conversas e até mesmo comentários sem muita importância com os amigos, realmente nunca se da importância até perde-los, portanto talvez até mesmo os mais tolos comentários de uma conversa sem sentido e de brincadeiras, importavam a ela.


Assim os poucos minutos que sempre pareciam demorar muito e quando acabavam ter durado pouco, se acabaram e os sinal para que os alunos voltassem era tido. Assim apenas se levantou, limpou a velha calça jeans tirando as pequeninas folhas que ali pudessem estar e começou a caminhar, enquanto o lindo casal vinha atrás deles.


Assim logo o viu a distância, conversando com os amigos dele sem muito se preocupar, nenhum que ela pudesse conhecer ou ao menos vê-la ali, pareciam interessados demais em suas conversas, mas por um segundo apenas ele a olhou, não foi direcionado a ela, foi mais um olhar rápido que passa por entre todos, mas que talvez para ela, tola garota de apenas 16 anos achasse cruelmente perfeito.


Ela riu, riu de si mesma e de tudo que estava sentindo, acreditava mais que tudo nas mais doces palavras de sua professora de português na segunda aula: “O melhor amor, é o amor platônico”, assim pegou no braço da velha amiga e assim com a face corada e sem graça apenas se dirigiu aos bebedouros, bebeu não mais que uma colher de água, ou até menos, apenas para sentir os lábios alguma coisa, algo como voltar a realidade.


Assim se dirigiu a sala, onde mais uma vez mesmo em conversas e a prestar atenção da aula, nada muito importava. Ninguém sabia, nem ela entendia, mas quando o sinal para ir embora tocou, ela se levantou, pegou a velha mochila, arrumou cuidadosamente e assim saiu rumo aos portões onde adolescentes pareciam se matar em algo parecido como uma “boiada” de pessoas, nada olhou, não precisava mais o vê-lo ali na saída, era apenas mais um dia de aula, apenas mais um dia comum em que nada acontecerá, mas sem nada entender, ela sabia, já havia ganhado o seu tolo dia.!”

3 Comentários:

Hugo Rodrigues disse...

dúvidas, dúdivas e dúvidas
dos adolscentes, liindo isso!
parabens!

então, novo capítulo
estou no XI já!
se der passa lá!

beeeijao

Felipe disse...

Eu odeio matematica =/

Parabens pela postagem...

E vamos lá, avante com o blog ^^

Marina disse...

Olá! ^^^

Descobri seu blog procurando por pessoas com mesmo gosto musical que eu. Gostei de sua maneira de escrever, é tangível, initímo e natural. Lindo blog.


Abraços, Marina

 
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