Doutora

26 de junho de 2011

O barulho martelou seu cerebro: estridente, alto e sonoro como auge da remasterização de O massacre da serra elétrica. Supreendia-se como conseguia fazer aquela analogia naquele instante, afinal, em alguns milésimos de segundo despertava seu subconsciente e procurava de onde vinha o barulho incomodo. Sua conclusão: era um pequeno objeto, prateado e tinha um numero nele. Uma arritmia avisava que ela havia decifrado o enigma; um bipe.
Os olhos arregalaram, as mãos pegavam o casaco posto na cadeira ao lado da cama e o piloto automático erguia elas posteriormente em busca das chaves do carro na fruteira vazia.
A porta enfim bateu atrás de si, forte o bastante para o Sr. Darci reclamar quando a visse, mas nem pensava nisso agora, o importante era só descer as escadas velhas e chegar até o estacionamento e nele sua moto. Jurava que o motor ainda quente zombaria de sua expressão cansada, como algo do estilo "Você realmente achou que ia dormir na sua cama hoje?" completado com algo mais mordaz do tipo "Se acontecer algo a ele, a culpa é sua.", porém apenas bloqueou tais pensamentos, se ao menos fosse uma Harley daria ouvidos, se protegeu infantilmente.
Desviou dos carros na pista, havia alguns deles seguindo em direção ao interior, era algum feriado, mas não conseguia se recordar de qual. Não importava, por que estava pensando nisso agora? Louis gostaria de passar com a familia, constatou rápido. Havia visto o menino mais novo, era a cara dele, e deveriam se sentar todos na mesa farta e falarem todos ao mesmo tempo em um unissono rugido que simplesmente traduziria a mais doce felicidade. Algo que nunca teve devido aos plantões do pai e que nunca teria devido as próprias escolhas.
"Está sentimental demais, pare com isso." Viu o velocimetro subir, ainda não era o bastante. Mas serviu para lembrar que acusou um paciente de suicida na semana retrasada depois de chegar de um acidente de moto. Bom, sorte que ele não podia ve-la agora.
O hospital, finalmente, surgiu como um clarão branco no meio da noite. Era incrivel, poderiam o pintar de verde flurescente que se recordaria dele branco, com dois grandes pilares na parte superior e um pequena entrada para os médicos e professores, havia mudado durante os anos, mas não a sensação que lhe causava.
Parou a moto na emergência, cruzou o hall sem qualquer surpresa para os transeuntes ali, já se tornara como uma peça da mobilia, parte do cenario. Pegou o elevador, apertou o botão com o número cinco desgastado e em poucos segundos entrava em um quarto estupidamente gelado.
_Dra. Smith, que bom que...
_Se houve um ataque significa que não esta aceitando bem o tratamento, algo esta errado, afinal é exatamente para o que ele tem.
_E se...
_Não funcionaria, porém esta certo, diminua a dose e o mande para um eco. Algo tem de ter mudado.
Sem mais nenhuma palavra, Robert apenas se obriga a caminhar até fora da sala, não se recordava de um motivo para obedecer um pirralha metida a médica vinte anos mais nova que ele além dos belos seios, mas ela dificilmente errava. Porém, para Dr. Smith "dificilmente" não significa "nunca" e uma pequena pressão em sua tempora avisava que não importava se havia dias que ela basicamente não saia daquele hospital além da cafeteria de Alex, ela ficaria ali até quando Louis precisasse dela, ou até que outro paciente a necessitasse e outro, sem queixa, sem reclamações ou nem mesmo desistências diante de casos aparentemente insolúveis, afinal, era uma médica, havia escolhido isso.
_Dra. Smith, temos uma emergência...

 
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