não é sobre um hamburguer

23 de setembro de 2022

Vou começar pelo ponto óbvio,  esse texto não é sobre um hambúrguer. Sim, esse amontoado de pão, queijo e salada fez as lágrimas saírem ao ver que era o de carne que estava ali. Mas com certeza não é sobre o hambúrguer. 

Decidir sair do plano alimentar e pedir um hambúrguer foi quase como um alcoolatra sentar na mesa do bar após um dia ruim e pedir uma caninha. Eu só queria depois de uma dia muito extenuante a alegria de algo facilmente gostoso. Adivinha, por mais que já desconfiasse no decorrer das 24 horas, o destino não estava muito a favor do meu planejamento. Toma aí amigo, novamente, fora do seu controle, lide com isso. Não lidei.
O ponto forte era realmente não querer lidar mais. Não resolver. Não por em ordem. Não ser a pessoa que faz as coisas funcionarem. Não dar de toda minha força mental nas ações sendo que nunca dependem exclusivamente de mim. 
Escutei umas três vezes do meu marido "mas eles só erraram o pedido". É,  isso eu entendi. Mas adivinha,  não era sobre o hambúrguer. E quanto mais focava em que se não fosse eu a resolver nada aconteceria, mesmo em uma coisa banal como um pedido errado de hambúrguer a sensação de angústia piorou.
Há pessoas que resolvem e as que pedem para que se resolva para elas. De repente, não era nem sobre eu já não ter forças para me manter em pé ao fim desse dia. Eu estava ali e ninguém resolveria nada para mim.
Óbvio que ele tentou, mas as vezes o tudo que a pessoa pode te dar não vai suprir o que lhe convém. Ele não vai se indispor, não vai reclamar, não vai tumultuar. Não, acertividade é vista como exagero, como errado por pessoas como ele. Sente, fique frustrado, fale mal pra si mesmo e espere. É exagerado causar sobre um pedido errado, afinal é só um pedido errado. Mas decididamente não era sobre o hambúrguer.
Quando, depois de as lágrimas terem deixado mais leve a carga que carreguei durante o dia, eu me deixei sentir a fome e sair do meu casulo, encontrei ele estressado, cansado e fechado. Quando pessoas como ele se fecham no mau humor diário eu preciso ser compreensiva e apenas lidar. Quando sou eu em crise viro a pessoa problemática e cansativa que se estressou por um hambúrguer. A pessoa sozinha que ninguém entende o humor. Alguém complicada demais para se dar o trabalho de desvendar. Alguém sozinha. Em dois, e sozinha.
Eis que a problemática do cansaço de, mesmo não estando bem, ter que resolver tudo para todos se tornou entre muitas coisas, coisas que nem sei nomear. Se tornou perguntas, se tornou alarmes. 
O entregador de outro lugar chegou com o pedido duas horas e meia depois. Essa é a forma dele resolver. Levanto, me sento e como sem sentir o gosto para simplesmente não causar mais conflito do que já existiu. Há um mundo aqui dentro em ebulição, nem sei se ele se importa, está cansado demais na sua própria bolha. Acabou a noite com ele me vendo comer um hambúrguer sem ser de carne. . 
Hoje enquanto levantei e segui o rumo das minhas responsabilidades vi uma sombra sozinha caminhando com carga demais. Deixei apenas uma ou duas lagrimas caírem e segui para meu dia decidida a por palavras no papel para sairem de mim, afinal, o problema é que esse texto nunca foi sobre um hambúrguer.

sobre terapia e um copo de açúcar

13 de setembro de 2022

Toquei em assuntos delicados demais sem relar neles. Tentei fugir como faço bem. A fuga atualmente cai em um outro assunto que escapei por tempo demais.

Parece que desde que comecei a abrir a caixa de pandora tudo escapou de uma vez só e o consciente pede correção monetária.
Eu crio significado de tudo ou repente tudo tem sentido? Parece filosófico demais até mesmo pensar isso.
Penso que assuntos focais precisam ser tratados então sei que preciso continuar. Preciso ver se isso vai me libertar ou afogar de vez. Terapia é uma sessão de 30 minutos que repercute 10050 minutos restantes. Eu depois de anos pisando em ovos e mostrando apenas as verdades que queria que vissem, _ ou seja, mentiras ou ocultações da verdade, dependendo do locutor - tenho um panorama claro demais quando decido ver o que deixei de dizer e ver durante tanto tempo. A claridade, no entanto, as vezes trás o reflexo de tampar os olhos. Luz demais incomoda. O escuro também.
Eu continuo falando em metáforas porque não posso dizer claramente o que dói ou é apenas como o meu eu lírico utiliza para se expressar?
Conforta por no papel, na tela, no branco. Então por hora deve bastar. 
Mexi no vespeiro e recorro a um copo de água com açúcar. Já tomou? Tem um gosto terrível. Só acredito que acalme quando é outra pessoa que te oferece. Não pela glicemia, mas pelo cuidado. Tome isso, vai melhorar. Tome isso, estou aqui preocupada o suficiente para te dar um copo com duas colheres de açúcar para que se sinta melhor. Estou aqui. 
O copo de açúcar não vem. Se ninguém vê você desabar, ninguém vem a seu socorro. Estou aqui tentando fazer esse papel então. Levanto, respiro, pego um copo de água e duas colheres de açúcar. O gosto é terrível, mas pelo menos estou tentando tomar.


abandono

12 de setembro de 2022

Passei dois dias acompanhada a todo instante, passei dois dias me sentindo totalmente sozinha.

Houve esforço para levantar, esforço para se manter em pé. Parece que tenho que me esforçar a todo instante e assumir esse papel de estar presente. Todos esperam que eu esteja bem. Se eu não estiver bem eu vou ficar sozinha. Eu finjo bem, eu continuo sozinha.
Não sei que palavras disse de errado. Não sei o que errei em agir, em expressar, em falar. Repito mil vezes todas as interações e diálogos. Completo com uma imagem extra corpórea avaliando cada modo de agir. É cansativo estar perto de pessoas. É cansativo estar sozinha comigo.
Tem dias que a energia se esvai. Tem dias que volto a memórias que racionalmente eu sei que eu só eu tenho. Um ritual de "mea culpa" como chibatadas nas minhas costas. É por ser assim que não vejo ninguém? É por ser assim que realmente ninguém me vê?
A baixa energia é um repelente de pessoas. A toxidade é interpretativa. Será que solto falas mortíferas do mesmo jeito das que me atingem desprenciosamente?
Quis apagar momentos dolorosos e constrangedores. Apaguei tudo em volta. Hoje tento me recordar, resgatar qualquer vestígio de quem eu era para conseguir desvendar quem eu sou.
As frases aqui não se conectam. Tente ser simples. Quero por no papel pois assim saí de mim e a cabeça para para respirar. Onde quero chegar? Eu não sei. Parece que caminho dois passos e volto três. Quero me impor e ao mesmo tempo pedir desculpas. Quero chegar botando o pé na porta e logo em seguida pedir licença. Quero dizer não e logo em seguida me oferecer para o que pedirem. Estou cansada, cansada demais. Cansada de estar perdida, procurar saídas e de repente se recusar a cruzar a porta. 
Escuto uma criança gritar não me abandone. Já abandonaram. Vai lá, volte a dormir agora e levante amanhã mais forte.

 
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