abandono

12 de setembro de 2022

Passei dois dias acompanhada a todo instante, passei dois dias me sentindo totalmente sozinha.

Houve esforço para levantar, esforço para se manter em pé. Parece que tenho que me esforçar a todo instante e assumir esse papel de estar presente. Todos esperam que eu esteja bem. Se eu não estiver bem eu vou ficar sozinha. Eu finjo bem, eu continuo sozinha.
Não sei que palavras disse de errado. Não sei o que errei em agir, em expressar, em falar. Repito mil vezes todas as interações e diálogos. Completo com uma imagem extra corpórea avaliando cada modo de agir. É cansativo estar perto de pessoas. É cansativo estar sozinha comigo.
Tem dias que a energia se esvai. Tem dias que volto a memórias que racionalmente eu sei que eu só eu tenho. Um ritual de "mea culpa" como chibatadas nas minhas costas. É por ser assim que não vejo ninguém? É por ser assim que realmente ninguém me vê?
A baixa energia é um repelente de pessoas. A toxidade é interpretativa. Será que solto falas mortíferas do mesmo jeito das que me atingem desprenciosamente?
Quis apagar momentos dolorosos e constrangedores. Apaguei tudo em volta. Hoje tento me recordar, resgatar qualquer vestígio de quem eu era para conseguir desvendar quem eu sou.
As frases aqui não se conectam. Tente ser simples. Quero por no papel pois assim saí de mim e a cabeça para para respirar. Onde quero chegar? Eu não sei. Parece que caminho dois passos e volto três. Quero me impor e ao mesmo tempo pedir desculpas. Quero chegar botando o pé na porta e logo em seguida pedir licença. Quero dizer não e logo em seguida me oferecer para o que pedirem. Estou cansada, cansada demais. Cansada de estar perdida, procurar saídas e de repente se recusar a cruzar a porta. 
Escuto uma criança gritar não me abandone. Já abandonaram. Vai lá, volte a dormir agora e levante amanhã mais forte.

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