O banco

27 de março de 2008


“Era tarde, o sol já partia dando seu leve adeus em forma de um céu alaranjado, as folhas secas e o vento agradável de outono se fazia presente, e aquela sensações se misturavam a esta visão quase perfeita.
Ao fim estava aquele banco em que tantas vezes sentei-me, ao fim daquela estradinha de tijolos velhos, estava o bendito banco, porém sentado naquele dia apenas um casal.
A idade eu não saberia descrever direito, mas ouso dizer que já beiravam os sessenta anos, afinal ao rosto as marcas do tempo se faziam presentes... Porém também tão presente era notado um circulo, dourado e brilhante, em volta das mãos deles, estas entrelaçadas uma a outra e ao sorriso claro diante dos lábios deles.
Ele dizia alguma coisa que eu não pude entender, mas foi melhor assim, existem segredos que apenas devem coexistir dentro da mente de duas pessoas que selaram este acordo.
A cabeça dela levemente abaixou-se indo ao ombro dele, eram mais que amantes, eram amigos, podia se notar.
Eram eles que mesmo com o passar da juventude e ou até mesmo a paixão ardente, estavam ali, sorrindo por uma simples conversa ao parque.
Pude notar que ao longe tinha algumas crianças, loiras e de bochechas rosadas que corriam até eles, falavam e riam a se divertiam com os comentários do velho senhor e logo corriam de volta aos brinquedos feitos ali naquela pequenina praça, eram netos dos dois, fui saber mais tarde.
Sim, esta simples questão me chamara atenção a ponto de me perguntar mais tarde, ao fim do segundo dia recorrente a este, porque os delicados velhinhos do parque não se sentaram no que eu chamaria de “meu banco”, mas resposta nenhuma viera.. Além de um eco de dor e conclusão, eles nunca mais viriam.
Passei muitos anos ainda a ir ao mesmo parque e só parei quando tive que ir fazer minha primeira faculdade em uma cidade no interir do Brasil, encontrei sim inúmeros parques, com paisagens e cenários dos mais lindos, mas nunca ache um tão perfeito como aquele, podia ter sim casais e sorrisos da mais pura felicidade, mas nenhum como aquele que vi nos lábios dos dois.
Podem ter partido com a família em uma viagem, podem ter sido internados em um asilo ou quem sabe terem morrido com a idade, mas na realidade não me preocupo com o que foi deles, pois o mais importante para foi, foi saber que em algum lugar, existiu o que eu chamaria de amor Eterno, não em filmes e nem em livros, apenas ali... No meu banco.”

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