Aquilo...

11 de abril de 2008



Ela apenas não sabia o que sentia, abriu o caderno e começou a rabiscá-lo, rabiscava com tanta força que miseravelmente a folha se partira e as de trás, que pouco tinha haver com aquilo, foram marcadas e estragadas, sendo jogadas ao canto do quarto logo em seguida.
Esquivou-se a menina dos mimos de pelúcia sobre a cama, jogou a mochila pesada que colocara ali pela manhã, mais cedo que o normal, tendo acontecido “aquilo” e ela nem mesmo sabendo o que era o tal “aquilo”.
Sim aquilo... Aquilo de gritos escutados por todos em meio ao pátio escolar, aquilo de uma lagrima lhe escorrer o rosto mesmo nunca chorando perto de desconhecidos, e nem de si mesmo, não tinha motivos para chorar não é mesmo?
Aquilo de sair por aquele portão que a pouco entrara e se sentir perdida, mesmo sabendo que em alguns passos, em menos de quinze minutos, estaria em casa novamente.
Isto era aquilo que ela sentia sem sabe por que razão ela estava exatamente sentido aquilo e isto não fazia a mínima razão!?... Isto era aquilo que fazia ficar fora de si e mandar todos a sua volta explodirem como explodia aqueles sensações dentro dela.
Aquilo que fez ela simplesmente correr por entre a cidade vazia devido ao horário e ver que nem ali, nem por um segundo, nem por um milésimo dele, conseguia entender o que sentia.
Não tinha razões tinha? Era tudo perfeito... A vida perfeita, a família perfeita, os amigos perfeitos...
Amigos, oh sim ela gritara com sua melhor amiga em meio à multidão, com certeza deveria estar odiando-a por isso naquele momento, somente por causa do “aquilo” que ela não sabia e assim baixinho amaldiçoava “aquilo”.
Se sentou em frente á praça, ninguém lhe incomodaria naquela hora, criaria coragem de descer para casa e simplesmente se esquivar das pergunta das mãe, ela entenderia a menina não estar na aula, não fazia isto com freqüência, na realidade pensando por aquele momento, ela nunca fizera. Vidas perfeitas não podem ser abaladas e nem os planos desconstruídos, não é mesmo?
Mas naquele momento, aquilo pouco importava, aquilo se quer chegava a seus pensamentos... Aquilo era apenas um lapso de realidade que lhe vinha na mente perdida em confusões.
Parecia que os momentos de pensar naquilo, passaram rápidos e pouco a pouco a cidade acordava, o sol já parecia mais forte e as pessoas mais curiosas, assim apenas jogou a mochila ao ombro e caminhou até a casa, tocou a campainha, por um milagre o portão estava fechado, deu um leve “oi” a mulher que já se concentrava no computador a sua frente, trabalho obviamente, assim tirou os olhos do monitor e olhou estranhando a atitude da menina que até aquele dia, fora garotinha perfeita.
Nenhuma palavra veio e talvez aquilo mostrou a mulher que era melhor não perguntar e apenas entender, decifrar e descobrir, ou não, era simplesmente fazer como sempre, concentre-se em algo e esquecer do resto, muitos utilizam esta técnica.
E ali em seu quarto marcado por bandeiras de países e um grande mapa-mundi a mostrando seus sonhos lhe dava uma certeza a menina de olhos marejados, se sentia presa e nem sabia porque..
OS desenhos lhe pareciam mais como rabiscos, as musicas como barulhos irritantes e as escritas como “histórias ridículas” que devem ser jogadas ao lixo e assim fez, e logo após apenas se jogava ao travesseiro como aquilo fosse ir embora se fugisse ao mundo dos sonhos.
Pessoas ligadas a razão nem sempre conseguem fugir e entender estas confusões, mas parece que em meio a indagações lhe deram uma trégua e tão rápido quando os olhos normalmente arregalados e que notavam cada mínimo detalhe da Vida estavam fechados e perdido no mundo dos sonhos, mundo o qual ela poderia fazer e controlar mentalmente e decidir suas próprias conclusões.
Acordou, a mãe estava ali e isto a assustara, mas foi rápida, avisava que alguém estava á porta, num escutou o nome ainda sonolenta, apenas caminhou até o portão, ali em face alva e de cabelos em um ruivo-castanho estava ele, com aquele sorriso decidido, olhar ingênuo e um ar... Uma alma... Livre!
_Não achou que ia lhe deixar sozinha né?
Não que fosse novidade ele ter matado aula, não que fosse novidade se encantar por aquele rosto, mas realmente era novidade algo sim. Era novidade algo que estava sentindo, era novidade, aquelas supostas asas que lhe foram concedidas naquelas simples palavras como se ele lhe desse a liberdade que vem naturalmente estampada em sua alma, era novidade aquilo que sentia naquele instante, afinal... “Aquilo” acabava de partir!

2 Comentários:

Henry Zephyrus disse...

"aquilo" seria o famoso friozin na barriga adolescente que qualificamos estando com o estomago embrulhados em borboletas, bem acredito essa borboleta ser uma borboleta negra machadiana, cercada de sonhos e azares.
Bem desculpe a invasão , mas adorei seu texto sabia? otima prosa. otima gramatica e um senso de vernaculos sensatos incriveis.

parabens menina pandora, acho que esse nme n poderia ser diferente, acho que o baú que absites n fora a caixa de pandora em si, mas a caoxa dos bons textos, algo raro aqui nesse mundo netiniano.


grato e de antemão desculpando-me pela invasão.

Marina Cruz disse...

Que delicia imaginar que nossos "aquilos" não são eternos, são flexiveis, dependem de nossas emoções mais intimas.. e da forma como elas nos atingem!
amei!
Que muitos outros "aquilos" partam pela chegada de boas emoções =)
TE AMO, pequena.

 
Panluka - by Templates para novo blogger