Roda Gigante

22 de maio de 2008


"Naquele instante pouco importava tudo, pouco importava que seus pés pisavam novamente aquele solo de grama verde coberta de folhas amareladas da estação, qual ela prometera nunca mais pisar. Não importava se o vento batia frio por entre aquele casaco leve de lã, que cobria a pele morena, na realidade não importava muitas coisas, nem se quer saber que aquele cheiro de maça do amor que sentia na realidade vinha de sua cabeça e aquele olhar que desejava eram apenas lembranças esquecidas no passado de um parque abandonado.
Um parque de montanha russa de primeiro beijo, de ursinho ganhado no tiro ao alvo, de fuga solitária durante aulas tediosas, de risadas de palhaços de narizes vermelhos e caras pintadas, de leituras em paisagens desconexas e de sonhos tidos em uma vida... De talvez desilusões e cruéis decepções, mas que eram agora encobertas por risadas infantis e olhares ingênuos, de segundos de paz em anos de tristezas.
Fazia anos que nem se quer pisava ali, fazia anos que ela fugia de suas próprias vontades e agora aquela sensação lhe acometia a alma. Era nostalgia? Saudosismo? Pouco importava, mas ao fechar os olhos era como se pudesse escutar as engrenagens da roda gigante novamente funcionando e os balões coloridos destacando-se por entre dedos infantis, um sorriso lhe passou e ela tolamente abriu os olhos. Abandonado, deserto e solitário, nada mais.
Abaixou a cabeça e olhou uma ultima vez ao local, porém tão ágeis os olhos amendoados caíram sobre os carrosséis, e em um cavalo branco, como num lapso de memória, ali estava ele, sem armaduras e espadas como um príncipe, ou se quer os mesmos olhos puros de outrora, mas não era nenhum nem outro, era um homem de expressão forte que apenas a fitava com o mesmo sorriso irônico nos lábios se aproximando.
_ Por que demorou tanto pra voltar?"

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