29 de janeiro de 2011
As luzes se acenderam no meu rosto fazendo com que eu abrisse os olhos que mal haviam sido fechados. O relógio do Gato Felix da cozinha – único detalhe que saia fora do padrão de decoração clássico-moderno-minimalista de Maximiliano - marcava 5:14h. Conseguiu murmurar um palavrão baixinho antes de tentar cobrir meu rosto.
_Desculpe Juliet, pensei que estaria no seu quarto. Afinal, é lá que deveria estar.
Este é o tom supremo de Maximiliano afirmando que eu estou fazendo algo errado; ele ama usar este tom comigo. Mas ainda sim preciso fazer com meu cérebro funcione rapidamente e transforme a mensagem que ele não criticou o fato de eu ter proferido um palavrão na casa dele. A última vez que isto ocorreu lembro de ter ficado escutando minha mãe reclamando comigo pelas criticas em cima dela de como ela anda me criando por uma semana. Eu tenho 21 anos, me pergunto até que idade ele acredita achar que a palavra criação esta completa.
_Juliet...
Sento-me bruscamente e encaro o rosto de Maximiliano todo borrado. Tateio os cobertores em busca de meus óculos e, entre o controle remoto e os livros, o acho. Volto a encarar meu avô, mas ele não está sozinho.
Não deve ter mais de 1,90m, mas certamente tem mais que 1,80m... Os cabelos são bagunçados em um tom também bagunçado, poderia encontrar três cores possíveis para caracterizá-los. Tem a face branca e os olhos estão ocultos por um óculos escuro. Ele não sorri.
_Algum problema?
Meu avô me encara secamente enquanto com os dedos tateia as revistas do balcão. Ele esta apenas disfarçando, Maximiliano nunca leria nenhuma revista daquelas.
_Quem é ele?
_Mas é muito engraçado. Agora eu preciso prestar contas de quem eu convido para vir na minha casa.
A risada dele não é seca, mas é mais nervosa que nos últimos dias. Ele nem aparecia em casa nos ultimos dias.
_Sou Baltazar. Você deve ser a filha de Frederick Armand, seu avô estava me dizendo agorinha de você.
Apresentou-se tirando os óculos e esticando a mão para mim. Um aperto no meu estomago me dizia para correr. Um olhar de poucos amigos de Maximiliano avisava que ele não deveria me nomear como neta dele, e que muito menos deveria se apresentar.
_Prazer, sou Juliet.
Lembrei que deveria apertar sua mão, ela era quente.
_O sofá será a cama de Baltazar por esta noite, então nos ajudaria se tivesse a proeza de dormir no seu quarto hoje.
Era minha deixa para sair. O olhar de Maximiliano me obrigava a engolir qualquer vestígio de curiosidade e seguir o caminho até o quarto ao fim do corredor do segundo andar.
_Amanhã peço para uma das criadas arrumar o quarto de hospedes para você, meu amigo.
Seu tom havia mudado completamente, como se Maximiliano perto do tal Baltazar fosse outro homem que eu não conseguia reconhecer.
_Hei meu bem, acordada já tão cedo?
Ao caminho de meu quarto minha mãe já se espreitava nos corredores.
_Maximiliano me expulsou do sofá. Ele está com um amigo lá embaixo.
Minha mãe riu do jeito que apenas ela, Emanuele Armand poderia rir.
_Maximiliano não tem amigos!
Mas lá estava ele, Baltazar, com sua jaqueta de couro e jeans surrados...
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