17 de janeiro de 2011
Nunca me considerei uma pessoa boazinha. Não... Naquela linha fina que fica entre o tal bem e mal, eu sempre preferi ficar exatamente ali, analisando os dois lados, porém, por algum motivo, o lado “mau” sempre me pareceu bem mais interessante.
O mistério de lá, o fruto proibido, o sabor de pecado era como um liquido preciso que se tem de beber até a última gota quando começa.
Um vicio de qual está na boca e nos olhos de todos, porém poucos tem coragem de se dizê-los realmente pecadores.
Talvez por insanidade, como declara meus melhores amigos, ou apenas tolice, eu sempre fui uma dessas pessoas que dizem...
Aprendi o poder que uma mulher exerce sobre um homem quando ainda era mais menina do que mulher e talvez neste truque, mesmo quando nem percebo, me pego usufruindo deste poder tão estimável, que junto a inocência maliciosa me concede tantos frutos.
Não digo nem somente em riqueza material, tão importante em minha vida ou na de qualquer hipócrita que diga que não quer o brilho do ouro, mas este pequeno utensílio me foi útil em outras das mais variadas maneiras.
Vejo tão claramente como acabei me tornando um presente aos meus pais, um casamento apropriado, era afinal a última esperança deles, não? Assim desde os doze anos e a primeira hipoteca, minha vida foi regada a caviar e martines aos olhos de todos, mas obtive também minha criação apropriada de uma lady. Era como se fosse um intimo leilão de quem poderia pagar mais sem aos menos eles nem imaginarem o que presenciavam...
Sempre soube interpretar e as palavras saiam de meus lábios no momento em que elas deveriam ser ditas, nunca ninguém chegara ao canto secreto onde guardo lembranças esquecidas e sentimentos tolos de uma fraca humana que prezo não ser.
É tudo um trabalho, é tudo por que deve ser assim, sem mascaras inúteis de mocinha de novela ou de vilã de livro de banca.
Minha alma e nem meu corpo terá um dono, nem mesmo o vencedor do leilão que ainda corre contra o tempo de uma falência anunciada em todos os jornais, nem se quer o “outro”. Não, nem mesmo ele... Sorrisos e um sim será dito um dia, é o que importa a todos, mas a mim, somente o mistério excitante pode saber onde me encontro.
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