24 de agosto de 2022
Eu nunca acreditei no amor romântico. Sempre achei que era uma paixão fadada ao fracasso por sua rápida fluidez. Algo tão bem inventado nos contos de fada que fazia legiões de pessoas buscarem algo inalcançável. Tipo ser feliz 24 horas por dia. Ainda não acredito na felicidade perpétua.
Perdoe-me o ceticismo, é apenas uma voz de segurança instalada. Pessoas perfeccionistas tendem a evitar o erro, então, quando vêem outros errarem tendem a não seguir o mesmo caminho. O que faltam frisar é o entendimento de que o erro dos outros são só deles, e as vezes nem são erros, só aprendizado.
Mas não acreditar não significa que ele não aconteça quando está distraído.
Elriolt era um personagem e no meio dos jogos de imaginação eu conheci sua cabeça. Tão heróico, amável e puro quanto seu personagem. Agora 15 anos depois não sei se a imagem que carrego se faz real ou se era a projeção de uma menina quebrada que por medo de sentir - qual realmente sentiu forte demais por um dia - quebrou um coração. Não acreditava no amor e se ele não existia, era só um espaço tempo para me machucar mais, ainda mais a 987 quilômetros. Meu único pedido de desculpas aqui presente, que no clichê mais malfadado pude afirmar “o problema não é você, sou eu”.
Como em um mundo pairado nas histórias, meu segundo coração me chamou de Pandora. Foi assim que me apresentei sem nunca me apresentar. Ele brilhava demais em um mundo real que nunca me encantou. Mas o que via era muito raso perto da dimensão que é ser alguém e ele tinha os próprios caminhos e lutas a trilhar. Não sei quanto tempo durou, sei apenas que o medo de não ser suficiente me fez nunca sentir o gosto de um beijo em um show de rock pop dos anos dois mil e bolinha.
Como um choque de realidade em personagens juvenis meu terceiro coração foi tão remédio quanto veneno. Fui entrega de corpo, mas não de alma. E o fato de não sair do meu mundo interno fechado e me fazer de bandeja foi motivo para eu virar um porta retrato atirado do 13° andar. Tal homem quis que carregasse esse fardo sozinha, mas da imagem distorcida no espelho já tinha carga demais para uma ainda recém vista mulher segurar e hoje eu só vejo o tempo demais que dei contra o de menos que me julgou oferecer.
Considerando a armadura envolvida no terceiro coração o quarto foi só uma imagem. É o único que não posso se quer encontrar. O idealismo de Platão que nunca soube da minha existência. O que não pode ser visto não pode ser julgado. Um rosto para imaginação. Algo tão tolo que só aparece aqui pela certeza de que se tivesse me aproximado nem se quer me lembraria mais agora dez anos depois.
Meu quinto coração é um erro ao som de Charlie Brown. Paixão desmedida e avassaladora. O ápice da razão apagada pela paixão. Foi conhecer alguém e nunca se mostrar. Foi não admitir estar repetindo os erros dos outros a ponto de nunca ser coragem para querer mais que alguns momentos roubados. Roubo parece a melhor definição. Roubei momentos de alguém. Mas todo roubo tem alguém lesado e nesse caso fui só eu. Fui pele, fui olhares, fui mãos dadas escondidas. Do esconderijo só me restou memórias que prefiro não tomar.
Meu sexto coração é gigante e já bate a quase oito anos. Era para ser brincadeira e virou aventura de vida. Uma resposta a uma prece que fiz sozinha no quarto trancado. Bem longe da perfeição encontra-se na rotina desafio e alimento em igual proporção. É ir além da paixão, do final do faz de conta. É como se após as cortinas abaixassem os bastidores criassem vida. E há vida, há amizade, há risadas e também defeitos. Eles brilham em neon por que no dia a dia criamos expectativas pesadas demais para outros ou nós vestirmos. Há certeza de mais tempo, de mais um dia. De novas fases e busca de encantos onde se faz o café coado.
Da descrença do amor eu me consumi em 6 crenças até então. Cada qual me levou onde estou pois não impediu que seguisse adiante, não como barreira ou algema, mas como sensação quente que sinto aquecer meus membros quando vou dormir. Da energia recarregada em um abraço e do gosto de uma provocação desmedida sem medo de retaliação. Por mais que as inseguranças existam e sejam cachorros enormes, ele ainda escolhe me dar apoio.
Ando agora de mãos dadas seguindo meu caminho, já tão mais crente, pois no segundo que entendi que algo só acaba por que um dia existiu. Não dar o nome a eles ou o crédito não impede de isso ter feito parte e queimado no meu peito quando se fez real, até mesmo quando nem se concretizou. De certa forma, é como se o único poema que sei de cor assinasse essa obra, que seja infinito enquanto dure. E duraram, duraram o suficiente para que eu pudesse acreditar. Não nos contos de fada, mas no que faz se faz o mundo continuar buscando, seguindo, procurando e, o Universo queira, achando por tempo suficiente para se fazer infinito.
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