2 de fevereiro de 2010
E se eu disser que fugi, como uma covarde, de mim mesma, nem ao menos poderia me culpar.Os meses decisivos - também conhecidos como meses do meio do ano, quando a ficha (por falta de termo melhor) cai e não a para onde escapar - foram realmente insuportáveis.
Vivi em meio de fórmulas e livros obrigatórios, sonhei com Pitagoras e me escondi no unico lugar que por fim me deu abrigo sem cobrar muito - fora os ingressos da bilhteria, o aluguel da locadoura ou as horas perante um sites ilegais de download de filmes - o mundo do cinema.
Me entreguei a ele como uma unica saida, afinal, minha amante, a escrita sabe ser impiedosa com os que dela sobrevivem (não em termos financeiros, mas da própria alma)
e lhe cobra tudo o que ela acredita
ter por direito: sua vida.
As palavras faltaram, os dias foram indo e a realidade sempre esmagadora me fez sentir tanta falta, que na própria necessidade me esquecia.
Talvez podem dizer que obtive frutos com tal entrega ao mundo real, de fato, a insanidade de estar perdida por aqui parece mais amena. Os filmes me ajudaram a manter a coerência e a lógica ilógica de meu ser. Me fizeram sorrir quando eu não queria e imaginar histórias que eu não vivi, e o pior, que eu não escrevi.
Me deu forças para esquecer ser Pandora... Foi bom, foi ruim, foi real.
Não sou a mesma que em péssima grafia escrevia contos por aqui. Não sou aquela que em menos de um ano se modificou e pela primeira vez, chamem de maturidade ou falta de esperança, aceitou esta metamorfose de cabeça erguida e curando suas próprias angustias.
Aindo rio sem motivo e choro também, ainda me pergunto quem sou e certamente, obviamente, não encontrou resposta alguma.
Tirei férias da Pandora, tirei férias do irreal e portanto tirei férias de mim. Mesmo que para tal férias, no mundo real, eu não tivesse tempo para férias.
Cursinho, programas de universidades, vestibulares, concursos, trabalhos e um filminho no fim de semana. Tarefas...
Não me apaixonei - pelo menos não alguém que saisse da teoria pragmatica de Platão - , quase não cantei na sala e por sinal, pouco escrevi ou me relacionei. Eu cresci...
Peter não apareceu e agora Wendy vem me sussurrar que assim foi melhor. Se foi, não sei.
Sei que necessito da escrita da mesma maneira e como um marido levo rosas a ela e lhe canto canções de amor para que ela me perdoe.
Foi melhor para nós dois, resmungo já impaciente. Ela me perdoara, sei disso, ou espero isto. Mas, por enquanto, vou fazendo manobras e intercalando todas as faces que me completam.
Sou Pandora, sou Mila, sou muitas... E estas, sem limite de tempo e realidade, junto ao cinema, musicas e livros, sou eu mesma.
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Onde estive:
http://www.milasarte.blogspot.com/
(Sobre a sétima arte e outros pormenores)
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M. S.


1 Comentários:
Esse seu texto parece muito com um meu, "Auto Retrato Figurativo".
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