24 de abril de 2010
Aos oito anos Daniel já era seu melhor amigo, um confidente e um companheiro quando ela precisava. Ao nove foi ele que insistiu para ela não fazer bico ao ir para a aula de dança em vez da de pintura, onde seu professor antigo havia viajado, e descobrir a única coisa, que fora Daniel e Jack, a fazia enxergar além do premeditado.
_É como voar.
Rodou entre o gramado.
_Só que de sapatilhas e roupas estranhas.
Constatou ele, rindo em cima das escadas do porta dianteira da casa branca. Fred e Rose ouviam o barulho deles dentro da casa, temiam acordar Janaina que perante esta época não passava de um bebe dorminhoco.
_Por que não vão brincar de algo mais silencioso?
Não daria certo. A não ser que colocassem um livro na frente de Daniel com algo que realmente valesse a pena, ele não ficaria quieto. Tinha um mundo a descobrir; que bem o silêncio traria? Horas de sono aos seus pais, justificaria Manuele com a boa sensatez que, raramente, aparecia. Aprendera a admirar aquela família de uma maneira que poucos entendiam, muito menos os ilustres membros das classes superiores. O fato é que os Cravo apenas viviam a sua maneira, às vezes brigavam, às vezes riam, nem sempre foram felizes o tempo todo, mas, certamente, mais do que Manuele jamais desejou para si.
_Quero algo assim!
Disse ela sem cerimônias a um Daniel já com seus doze anos em uma tarde de verão.
As sardas já lhe cobriam a pele branca do rosto e abaixo do pó aplicado, ele tentava contar as pintinhas insistentes. Jurava serem dez.
_Hei, você ouviu o que eu disse?
_Claro, como sempre você quer algo.
O bordado bem feito, facilmente, voou até o tronco dele. Um olhar aparentemente zangado dele e pronto, a risada dela já preenchia o ambiente.
_Isto não é atitude para uma dama, Manuele Lacorte.
_Como se atitudes para garotos fossem ignorar o que uma lady diz.
_Tem que crescer mais até ser uma lady.
Pronto, a risada havia sumido. A impressão era que o fogo queimava. E assim, em vez de passatempos com garotos da escola e infinitas horas no mundo mágico da imaginação de Manuele, o fim daquele verão, intermináveis dias, foram de novos amigos, bola jogada na rua, jogos de tabuleiros na casa de John e cartas com corpos femininos desenhados, apresentados tão cordialmente aos novos jovens por Jack.
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