Cravo e Jasmim - Parte 3

24 de abril de 2010

Como se nada houvesse acontecido, eles voltaram a conversas em uma tarde destas e se perdiam amigavelmente m discussões triviais de quem deveria pedir a mãe de Manuele para que ambos fossem ao cinema na semana seguinte. Constatou-se que seria ela mesma. Sua mãe não gosta de mim, alegou corretamente um Daniel a seu favor. Mas ela permitiu, realmente não se importava, ou se importava era apenas com o que o marido poderia dizer, ao que se estabeleceu que deveriam voltar antes que ele voltasse do trabalho.


Dito e feito, Fred e Rose o deixaram antes que o sol se quer pensasse em se por e aos poucos um novo habito se formava.

Aos quinze anos ela já ia sozinha. Às vezes, na volta da escola de dança se pegava olhando os cartazes de filmes que tão repetidamente passavam nas sessões.

Ao passar dos anos as brincadeiras haviam mudado, as conversas evoluído e as visões se unificando. Porém, para os pais de Manuele as histórias passavam do limite, e o certo era o certo, somente o perfeito importava.

Na festa de debutante a intenção de um casamento com um comerciante bom de vida foi mencionado, naquela mesma madrugada uma expressão séria instalou-se no rosto de menino de Daniel.

_Não podem te obrigar a casa. És muito nova,

_Muitas casam na minha idade.

_Mas nem o conhece!

_Sua mãe também não conhecia seu pai.

Eram palavras para convencê-la a si mesmo, sabia muito bem ela, mas talvez se todos acreditassem, se seu Daniel acreditasse, ela também poderia e assim, um dia, se tornaria verdade.

_Sempre te imaginei a frente deste tempo. Escandalizando a todos e até a mim, fazendo suas escolhas como sempre fez, dançando em uma escola que você mesmo fundaria e viajando por onde sempre sua imaginação te levou.

_Gosto da tua imaginação, isto sim. Gosto mesmo!

Era aquele olhar que ele nunca saberia expressar com palavras o que significava. Era um elo que a salvava de pesadelos; nem sempre o mundo havia sido bom, isto ele tinha certeza, e era injusto para ele que alguém como ela, que tanto tinha sentimentos para dar e ensinar, tivesse tão poucos a serem privilegiados, que o quisessem ser.

Sua casa era vaziam por isto havia estado sempre na dele. Na verdade, da casa mal assombrada que ela via antes dos seis anos ao lado da sua, era agora o lugar onde seu anjo havia estado.

_E se seu futuro marido não deixar você me ver?

O sorriso novamente surgiu, o único.

_Eu fujo. Talvez escandalize como você quer e peço abrigo a teus pais. Será que Fred e Rose se importariam?

Não eram pelas perolas, ou pelos cabelos presos mostrando o colo remendado de sardas, mas ele via finalmente a tal lady. E ela amou aquele olhar.

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