Cravo e Jasmim - Parte 4

24 de abril de 2010

Facilmente adoeceu no mês seguinte, o pai estava mais presente, e com o novo trabalho, Daniel estava ocupado. Com a mesma leveza de uma pena se apresentou a um grande evento, o primeiro pretendente apareceu.


Apesar da pele mais pálida que o comum, Manuele tinha vida. Não havia muitos homens que aceitassem isto tão positivamente, e com seu jeito ela simplesmente deixou-se sorrir. Era um sorriso normal e cortes.

Daniel que havia perdido a apresentação por estar no escritório, apenas sentiu o estomago desabar com aquele gesto receptivo, confessou ele alguns anos depois.

Mas não foi o homem do evento que a tornou por esposa diante de setenta e três convidados em uma tarde de outono. Ele, como tantos outros, receberam respostas negativas, escapadas efusivas e discursos tão politizados que deixaram claro a eles a dor de cabeça que teriam caso a quisessem para si.

No entanto, houve mártires. Um deles quase a agradou, tinha porte de anti-herói e tom de aventureiro. Mas, a apresentação da primeira namorada de Daniel, semanas depois, fez que tudo se modificasse. A relação não era a mesma, os comentários chegavam a todos, mas nada se podia fazer. A tal moça, obviamente loira e educada, sumiu alguns dias depois da viagem inesperada de Manuele.

_Onde ela foi?

_Por quê? Acaso se importa?

Perguntou uma Rose de rugas aos olhos enquanto fitava o homem que o filho havia se tornado.

_Sabes muito bem que sim, minha mãe. Ela é minha melhor amiga, sempre me importarei.

_Que bom que se lembrou – provocou a irmã que em seu ar angelicalmente sagaz também lhe lembrava o dela. Sentia saudades. – espero que o novo pretendente não se importe contigo. Depois de te-la abandonado, talvez não se oponha mais ao marido.

As palavras tinham um gosto amargo. Nunca havia abandonado Manuele, ela que depois daquele bad-boy de ternos bem cortados que havia sumido e agora viajado sem qualquer aviso.

Não sei se algum deles estava certo. Só sei que ela sentiu saudades e com olhos do mesmo menino da janela ele percebeu o quanto ela lhe fazia falta também, enquanto via-a chegar a casa dias depois.

_Onde esteve?

No mesmo dia ele se colocou no jardim a sua busca. Estudava direito ali mesmo na cidade, não havia dinheiro para viagens e supérfluos, não sabia por que, mas pensava nisto quando a viu ali sozinha.

_Você notou que eu fui? Fico surpresa agora!

Havia o mesmo fogo da menina de seis anos nos cabelos, mas ela estava diferente. Permitiu-se ver tal diferença e corou perante diagnósticos nada lógicos.

_Não vai me dizer?

Insistiu com o olhar sério.

_E se eu não quiser?

_E se eu pedir por favor?

A risada e o baixar de olhos. O mar havia batido na ressaca naquele simples gesto.

_Fui à escola de dança em Nápoles, qual me convidaram para uma apresentação. Papai disse que faria bem sair da cidade, então me deixou ir à companhia de irmã Adelaide. Dizia estar preocupado, besteira.

_Você parece gostar disso?

-Me faz acreditar que tenho família. Que tenho alguém real fora da dança. É, desculpe-me, mas realmente gosto disso!

Ele não gostou disso e quis contrariar com palavras, achou melhor não. Gestos e ações eram mais eficazes. Seriam mais dois meses até que ela o abraçasse como fazia sua antiga Manuele, e quando ela o fez a dúvida sumiu como se tudo fosse óbvio demais desde o início.

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